PESSOA VIL

Piraju não quer mais usina hidrelétrica no Rio Paranapanema!

ECBrasil.... um grupo de EMPREENDEDORES do estado do RIO GRANDE DO SUL, criado em 2009 "por por acreditar no alto potencial de geração de energia elétrica limpa e sustentável do Brasil".
Ironicamente li essa frase no site da empresa. A ECBrasil é só mais um grupo de empreendedores que precisam construir obras atrás de obras, para garantir o giro de capital e lucro para a empresa, sem se preocupar como, quando e onde. Não sei quais os argumentos que usaram para que a ANEEL autorizasse o Projeto Básico de PCH, usar as palavras "desenvolvimento sustentável" sempre funciona... Sim, está na MODA falar sobre o tal "desenvolvimento sustentável", "preservação do meio ambiente", mas cá pra nós, essas palavras só são mencionadas porque empreendimentos como esse tem a OBRIGAÇÃO LEGAL de respeitar as premissas do Código Florestal (embora até este esteja me decepcionando). Essa discussão já se tornou massante para todos nós, e o próprio município tem todos os precedentes legais para barrar esse projeto. A autorização concedida pela ANEEL foi totalmente desrespeitosa e ainda me pergunto, por que razão autorizariam? O FATO ÓBVIO É QUE NÃO HÁ RAZÃO NENHUMA PARA A CONSTRUÇÃO DE MAIS UMA USINA, O MUNICÍPIO NÃO PRECISA, A POPULAÇÃO NÃO TEM NADA A GANHAR, E AINDA QUE O POTENCIAL ENERGÉTICO DA SUPOSTA USINA SEJA PEQUENO, QUEM REALMENTE VAI SER BENEFICIADO É A ECBrasil, QUE VAI GERAR INÚMEROS IMPACTOS AMBIENTAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA USINA INSIGNIFICANTE, QUE AINDA QUE SEJA PEQUENA VAI GERAR LUCRO E MAIS LUCRO... PARA A ECBRASIL É CLARO!

Colaboração: Ritinha de Cássia, via Facebook do Chega.

Povoamento do vale do Paranapanema: 8.000 anos

Por Adriana Garrote

Nossa região iniciou o povoamento há cerca de 8.000 anos, por nômades vindos da Patagônia (Argentina), que viviam da exploração da floresta, pela manufatura de artefatos da pedra lascada. Os estudos dos sítios arqueológicos revelam a presença dos Guarani em 500 e 1.030 anos, e dos Umbu com 2.500 a 5.000 anos atrás. A reconstituição do modo de vida, tanto dos Umbu quanto dos índios Guarani, pode ser estudada através do rigor na descrição das disposições das peças encontradas durante as escavações, o que determina seu modo de vida, seus hábitos e costumes.

Nossa bacia do Paranapanema possui grande riqueza arqueológica porque tivemos uma ocupação muito intensa e antiga. Os Umbu eram caçadores-coletores nômades, que viviam logo acima do rio, em terraços. Agrupavam-se em bandos de 20 a 30 pessoas, utilizando a floresta para sua sobrevivência, na coleta de vegetais, caça e pesca. No vale do Paranapanema encontraram clima agradável e boa alimentação. Desapareceram com a chegada dos Guarani (ZOCCHI 2002, p.57).

Os Guarani trouxeram ao vale a cultura do milho, da mandioca e das ervas medicinais. Eles dominavam o polimento da pedra e tinham o costume de construir aldeias nas colinas. Possuíam habitações, utilizavam grande quantidade de cerâmica e enterravam seus mortos em urnas funerárias. Eram mais avançados do que os Umbu.

Todo esse passado é revelado através do estudo de sítios arqueológicos que existem em abundância em nosso município. Os estudos foram iniciados em 1969, quando localizaram uma urna funerária pertencente aos Guarani. Estas culturas extintas são possíveis de ser conhecidas pela população devido ao trabalho de pesquisa da Associação Projeto Paranapanema, a Projpar, que é liderada pelo professor livre-docente em arqueologia brasileira pela USP, José Luiz de Morais. O Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo – MAE/USP tem cadastrados todos os sítios arqueológicos identificados na região.

A equipe de arqueologia é guiada pela tonalidade no solo, pelos vestígios, restos de comida, utensílios quebrados, cacos de cerâmica, onde é considerado o rigor na disposição das peças, a profundidade em que é localizado o sinal da presença dessas culturas antigas. As peças encontradas são analisadas por vários anos, e possibilitarão reconstituir o modo de vida da extinta cultura.

Piraju é tão fértil para a Arqueologia que, em um único trecho de terra, são encontrados quatro vestígios diferentes sobrepostos. Na superfície existem sinais da presença dos Guarani há 500 anos. No segundo sítio, mais abaixo, as marcas de outros Guarani, com 1.030 anos. No terceiro, aparece um sítio Umbu de 2.500 anos, e surge na outra camada, mais abaixo, novo vestígio dos Umbu, comprovando 5.000 anos de história local, conforme descrito por Zocchi (2002).

Toda essa riqueza histórica e cultural pode vir a se perder caso seja destruído nosso último trecho vivo de rio. Com o alagamento, o acesso aos sítios para estudos e visitação pública será impossibilitado. E assim, perdendo nosso passado e nossa identidade, somos jogados no mercado globalizado. Sem referência própria, não nos restarão muitas chances de desenvolvimento. Sem identidade, perderemos a noção de pertencimento.

Contato: adrianagarrote@ig.com.br

Queremos saber!

Por Adriana Garrote
contato: adrianagarrote@ig.com.br

“Olá, professora Adriana!

Somos alunos do quarto ano B, gostamos muito dos seus textos.

Fizemos uma entrevista com pessoas que são a favor e contra a construção de mais uma usina hidrelétrica em Piraju. Gostaríamos de saber se a construção de mais uma usina irá gerar empregos para a cidade. Pois foi esta a justificativa da maioria das pessoas favoráveis”.


Pessoal, que alegria!

É uma grande honra receber um e-mail de vocês. Obrigada pelo carinho, atenção e disposição em ler meus artigos. Sei que, às vezes, eles são extensos e meio complexos, porém, gostaria que vocês soubessem que estes artigos fazem parte do meu TCC (trabalho de conclusão de curso) quando me formei em pedagogia, em 2005.

Essa pesquisa durou quase um ano, e foi através dela que descobri muitas coisas das quais procurei informar e alertar nossa comunidade. Acredito que o trabalho científico deve valer para nossa vida, é somente assim que ele faz sentido, quando pode auxiliar, de alguma forma, a vida da comunidade. E sabendo que nem todos têm acesso a essas leituras mais técnicas e específicas, procurei, então, escrever essas informações pesquisadas em forma de artigos de opinião, e o jornal Observador, gentilmente, nos cede esse espaço para publicação. Agradeço muito ao pessoal do jornal, principalmente, ao diretor Paulo Sara, que acredita na importância da informação.

O propósito destes artigos é justamente esse, uma discussão com a comunidade sobre nossos ganhos e perdas. E que bacana descobrir que são vocês, professora e alunos, que estão iniciando esse debate tão importante para nosso futuro – nunca podemos esquecer que o que está em jogo é o nosso futuro.

Estou muito feliz com o trabalho da professora Andréia e de todos vocês, crianças. De saber que existem pessoas preocupadas com o destino de nossa comunidade e que querem saber a verdade. E que estão procurando debater questões que realmente afetam nossa vida.

A ideia de realizarem uma entrevista para saber sobre o posicionamento das pessoas, se são a favor da preservação ou da usina, foi excelente!

A justificativa de que hidrelétrica traz progresso, desenvolvimento e emprego para Piraju já não se sustenta mais. Esse conceito se formou no século passado, quando se acreditava que Piraju iria “decolar” rumo ao desenvolvimento, haveria emprego para o nosso povo. Já existem em Piraju vários empreendimentos hidroelétricos e hoje sabemos que quase toda a mão de obra utilizada na construção da barragem vem de fora. E quando entra em funcionamento, a usina requer poucos profissionais especializados, em sua maioria, também vindos de outras localidades. E, com o avanço da informatização, a necessidade de trabalhadores é cada vez menor.

Em minha pesquisa, houve uma análise sobre o estudo realizado em Salto Grande, onde está comprovado que a usina não só não traz desenvolvimento, nem emprego, nem renda, como provoca a estagnação econômica e social do município.

Já com o turismo ecológico, emprego e renda são benefícios reais e duradouros. Temos como exemplo a cidade de Brotas-SP, onde habitam 21 mil habitantes, que recebem, por ano, 140 mil turistas. E, assim, se faz necessário muitas pessoas trabalhando nas mais diversas áreas, como: hotéis, pousadas, restaurantes, bares e lanchonetes, supermercados, guias de trilhas, empresas especializadas em esportes radicais, que aproveitam nossas corredeiras e não pensam, de forma alguma, em eliminá-las para sempre.

Essa atividade, sim, gera empregos e renda para nossa família pirajuense.

Aplicação em sala: a resposta dos alunos

“O mundo não é, o mundo está sendo” (Paulo Freire)
A aplicação prática de minha pesquisa foi realizada entre 8 e 22 de agosto de 2005, na Escola Estadual “Ataliba Leonel”, com adolescentes (12 anos) de 6ª série. O trabalho pretendeu colaborar para que fossem estabelecidos os alicerces de cidadania, e despertados o interesse e a preocupação com os destinos da comunidade.

Para discorrer sobre a aplicação e o resultado, tomamos uma amostragem de 10 alunos. Ficou evidente na apuração das questões de educação ambiental que todos conhecem o funcionamento de uma usina, citam represa, gerador, turbina e a força das águas nesse processo de produção da energia elétrica, mas, ao mesmo tempo, apresentam um total desconhecimento de suas consequências para a localidade.

Durante a apresentação do vídeo, os alunos ficaram atônitos diante das imagens mostradas. O que mais espantou foi, principalmente, o trecho em que havia uma grande quantidade de árvores boiando e fermentando, mostrando o descaso na construção e funcionamento da usina, em 2003.

Pelo resultado apresentado nas redações, pudemos observar diversas conclusões: que Piraju já possui usinas demais, que queremos pelo menos este trecho vivo de rio para nós e para as gerações futuras, para que seja implementado o turismo, e que todos possam ser beneficiados. Não ao detrimento de muitos (que são os moradores da cidade) para o lucro de apenas um grupo econômico. Numa das redações, a aluna trata a questão com argumentos como “deve ser proibido, por excesso de usinas”.

Sobre a água, os alunos ficaram estarrecidos com a questão da quantidade de lixo e esgotos que vão parar nos rios. Alguns pensam que jogar o lixo no chão ou colocá-lo de qualquer maneira na rua não significa o mesmo que atirá-lo diretamente no rio. Em nossa cidade existem vários moradores que infelizmente jogam seu lixo nos bueiros, queimam ou colocam tudo misturado (o que acarreta a proliferação da população de ratos na cidade, que causam a leishmaniose).

A aula final, e de encerramento do projeto, foi na Fecapi, no Salto do Piraju, com nossa aula/passeio. As atividades foram realizadas ao ar livre, sobre o basalto da margem do rio. A grande maioria não conhecia o local, e dos trinta e sete alunos, apenas um havia estado ali para assistir ao Campeonato Paulista de Slalom (esporte de corredeiras), realizado em seis de agosto.

No local foi tratado sobre as origens do vale do Paranapanema e da nossa cidade. Ao retornarmos para a sala de aula, enfatizamos que o destino de nossa comunidade está sendo discutido, e que está em nossas mãos, em nossas consciências e atitudes como se dará o desenvolvimento sustentável que iremos legar aos que virão depois, ou seja, aos nossos filhos e netos.

Com a necessidade imperante de se preservar e conservar nosso patrimônio ambiental, cultural e histórico, ficou claro que, apesar de não ter sido possível abranger toda a problemática da educação ambiental, o objetivo primordial, que representa a preocupação e conscientização com o destino do último trecho natural do rio em nosso município, foi alcançado.

Nestes textos é possível constatar a importância percebida por eles de como lidar com o ambiente à nossa volta e, principalmente, com o destino final de uma área tão vital, dos cuidados com a água, com a mata, os animais e a saúde da população. Nas redações sobressaem as manifestações de consciência política, cidadã, consciência de que aqui é o nosso lar, da preocupação com o futuro dos filhos e netos, com o desmatamento, com a morte dos animais aquáticos e terrestres, de que o rio é o principal orgulho de nossa cidade, o principal astro do turismo, e de que querem eles mesmos decidir seus futuros.

Por: Adriana Garrote Paschoarelli

contato: adrianagarrote@ig.com.br

Com o olhar em nosso meio

Na conclusão de minha pesquisa constatamos que o momento educacional em que vivemos está passando por transformações profundas. Hoje, cada educador revê sua maneira de atuar. Seja de forma intensa e transformadora, ou superficial, só para constar. O importante é que todos percebem que o modelo que aí se encontra não satisfaz a ninguém. Professores tiram licenças uma após outra, aluno indisciplinado dentro da sala de aula, muitas vezes, não aprende, não transporta para sua vida o aprendido. A educação está distante das questões pertinentes vividas por seus educandos.

Durante os anos de faculdade discutimos muito a esse respeito. Observamos em nossa própria sala de aula o descaso para com o meio ambiente. A distância do lixo não é vencida por alguns passos. Celulares, necessários ou não, apitam chamando a atenção, há uma impossibilidade de viver sem. O destino da bateria, muitas vezes, segue o caminho do lençol freático. Nesse afã de consumo, o ambiente nem é notado, como se vivêssemos suspensos no nada, ou pior, vivemos ignorando o resultado de nossas atitudes, ignorando o destino final de nossos produtos consumidos, esgotados e descartados.

Vivemos a cultura do desperdício, do consumo desenfreado, do descaso para com o lixo, com a água, com a energia, com os recursos ambientais. O lixo está na calçada, na rua, no ribeirão, no rio. Pontas de cigarro, latas, garrafas e sacolas plásticas, papéis estão espalhados por todo lado. A cidade está suja e o país também. Triste realidade essa nossa, em que a falta de educação está prejudicando nosso crescimento.

Nossa fama de que somos sujinhos vai se espalhando mundo afora. Devemos estimular tanto adultos quanto crianças para que destinem bem o lixo. Assim nossa imagem em outros países não fica prejudicada. O momento é de enfatizar que todos ganham com atitudes e medidas de conservação e preservação, nosso país será uma nação mais saudável. É a chamada “Operação Brasil Limpo”. (ALVES, 2001, p. 56).

Já o setor elétrico, por sua vez, continua com sua tática de ‘fato consumado’, uma das estratégias mais utilizadas para levar a população a se conformar de que não há mais nada a ser feito ou falado, de que o poderio econômico vence qualquer vontade do povo. Essa estratégia está em todos os meios de comunicação, até no boca a boca local.

Durante toda a pesquisa, em cada capítulo procuramos focar e descrever os motivos, a nosso ver, imprescindíveis, do porque não destruir o local de nossa memória, de nossa identidade. Somos parte integrante de nossa cidade, o rio se modificando, também seremos modificados.

Represando o rio, não serão barradas somente suas águas: nossa vontade expressa em leis, nosso patrimônio ambiental tombado, nossa riqueza ecológica, diversidade de matas, de fauna, nossa vocação, nosso interesse econômico de desenvolvimento sustentável, nossa história, nossa cultura, o futuro, não somente o nosso. Nossa comunidade precisa estar sempre atenta.

por Adriana Garrote

Contato: adrianagarrote@ig.com.br

O rio Paranapanema não está à venda!

A população pirajuense não quer vender ou trocar as corredeiras do Rio Paranapanema por pista artificial artificial de slalom ou parque aquático. Chega de ladainha, de conversa fiada. Chega do canto da sereia para enganar o povo como foi feito pela CBA na construção da usina Piraju I. Os pirajuenses querem as corredeiras em sua integridade. O rio não está à venda!

Prova disso são as leis que estão em vigor e protegem o trecho, e os documentos oficiais enviados à ANEEL pelo prefeito e todos vereadores, demonstrando claramente a vontade soberana do povo pirajuense nesta questão.

Chega de usina em Piraju!

Foto: OAT

Legenda: As corredeiras naturais de Piraju formam atletas de nível internacional na canoagem slalom